Dividir para multiplicar

Coronel Celso Feliciano de Oliveira

07/11/2017


A capacidade de comunicação e o poder de mobilizar policiais e cidadãos levaram longe o Coronel PM Celso Feliciano de Oliveira, que, aos 14 anos, ingressava na Escola de Oficiais na intenção de seguir os passos de seu pai, integrando a Força Pública (órgão de segurança que antecedeu a Polícia Militar).

 

Estudou muito, aperfeiçoou-se em relações públicas e descobriu o poder das palavras como arma e ferramenta de integração. Nas décadas de 80 e 90 já plantava a ideia da “vizinhança solidária”, método inclusivo e eficiente de segurança utilizado em diversos bairros de São Paulo nos dias de hoje.

 

Chegou ao topo da carreira em 1989, quando comandou a PM de São Paulo. Mas, o ofício de educar, dentro e fora da polícia, é o orgulho e o legado do hoje coronel aposentado: transmitir informações úteis e difundir boas práticas policiais.

 

Força Pública

 

Filho de um respeitado oficial da Força Pública, Feliciano planejava trilhar o mesmo caminho do pai que tanto o orgulhava. Ingressou na escola de oficiais onde fez o curso preparatório – equivalente ao Ensino Médio. Depois passou a estudar no Centro de Formação de Oficiais, onde cursou o que hoje chamamos de Ensino Superior. “Naquela época os jovens queriam integrar as forças de segurança. Eu frequentava o quartel, o clube de oficiais e percebia toda a admiração que as pessoas tinham pela farda. Foi quase natural seguir o mesmo caminho”, lembra.

 

Com a formação completa, atuou no então Batalhão da Guarda e trilhou sua carreira em várias unidades policiais. Até que, durante férias, leu um anúncio de jornal onde o Departamento de Estado da Administração (DEA) oferecia vagas para o curso de Relações Públicas. “Eu era um caipira perdido em São Paulo. Nas minhas folgas de quarta-feira não tinha muito o que fazer. Então, resolvi encarar as aulas. Mal sabia que ali minha carreira estava sendo construída com solidez”, conta.

 

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Lado a lado com a sociedade

 

A vocação para a comunicação começou a ser notada nas unidades pelas quais passava e Feliciano passou a ser requisitado para promover a integração entre polícia e população. “Começamos a trazer a sociedade para debater segurança dentro do quartel. Empresários, professores, comerciantes, executivos de empresas de segurança particular, entre outros. Queríamos saber deles quais eram seus principais problemas, como enxergavam o papel da polícia, o deles mesmos e o que pleiteavam”, recorda o coronel.

 

Feliciano afinou as ideias facilitando as práticas. Esmerou-se no assunto e, em 1969, criou e implantou a Seção de Relações Públicas na Polícia Militar e chefiou, por duas vezes, a Seção de Comunicação da PM. “Sempre achei importante o policial estar integrado à comunidade, participar das discussões dentro da escola do próprio filho para a melhoria da do grupo estudantil; participar das questões dos comerciantes locais e suas necessidades específicas para aquele local; participar ativamente do dia a dia do bairro onde está inserido. Isso é que eu tentei plantar na minha gestão no comando”, observa.

 

Foi com essa visão que, vinte anos mais tarde, Feliciano chegou ao comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo, após participar da criação da Defesa Civil do Estado de São Paulo e de ações de voluntariado como o primeiro projeto da Campanha do Agasalho da Polícia Militar, cujo modelo implementado é seguido até hoje na corporação. “Eu sempre acreditei que segurança não é só polícia. E polícia, não é só policiamento”, destaca.

 

Da academia para as ruas

 

Feliciano encontrou nos estudos o caminho dentro da PM. E não quis guardar para si o conhecimento adquirido. Em 1965, o coronel começou a dar aulas nos estabelecimentos de ensino superior e de pós-graduação da Polícia Militar.
Na segunda metade da década de 70 já ministrava aulas em universidades e avançou até a década de 90 sendo orientador de alunos de faculdades privadas e de projetos experimentais realizados por estudantes vencedores de concursos promovidos pela Seção Estadual de São Paulo da Associação Brasileira de Relações Públicas.

 

Feliciano fez pós-graduação no Curso Superior de Polícia, no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais e se tornou mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). “Uma boa relação, baseada em uma excelente comunicação, é um passo importante para a implementação de programas significativos e avanços na forma de promover segurança em uma sociedade. Sigamos passando informações, para que sejam aperfeiçoadas e levadas da minha estação para estações de um futuro mais promissor e seguro”.

 

Hoje, Feliciano ajuda a educar os netos e vê sua história se repetir na vida do filho mais velho. “Ele sempre me viu no ambiente militar, frequentou meus espaços, conheceu meus amigos policiais. E seguiu carreira. Já é oficial. Espero que contribua também para as pequenas mudanças que tornem cada vez maior a Polícia Militar. E que passe o conhecimento adiante”.



Coronel Celso Feliciano de Oliveira
Acredita que uma boa relação, baseada em uma excelente comunicação, é um passo importante para promover um modelo de segurança integrado à sociedade



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