Vocação pela vida

Cabo Thiago Ribeiro do Rego

15/09/2017


O dia estava chuvoso, com neblina, a pista molhada, e a última imagem da qual se lembra daquele dia é a de um caminhão parado na cancela lateral do pedágio. Eram 6h da manhã, e o cabo Thiago Ribeiro do Rego seguia para mais um dia de trabalho na Polícia Militar quando colidiu com o caminhão.

 
O cabo da PM acordou no hospital, um mês depois, sem os movimentos dos braços e pernas, com as ideias embaralhadas e a fala completamente afetada. Desenganado pelos médicos, o policial encontrou nos colegas de profissão e em sua vocação a força para se reestabelecer. “Eu tinha duas opções: lutar pela recuperação total e voltar a ser policial ou me entregar e amargar o resto da vida em uma cama, usando fralda e dependendo dos outros para tudo. Venci a tragédia”.

 
Homem da Lei

 
Quando criança, Ribeiro inspirava-se em astros do cinema de ação como Chuck Norris e Charles Bronson. Queria ser como eles, um homem da lei que dedicava seu dia a dia a salvar vidas. Foi com esse pensamento que o cabo ingressou na Polícia Militar paulista como soltado temporário aos 18 anos. Logo em seguida, entrou na Marinha como fuzileiro naval e integrou uma missão de Paz no Haiti. Na bagagem, traz memórias de uma experiência violenta que prefere não lembrar.

 
De volta ao Brasil, Ribeiro ingressou definitivamente na Polícia Militar. Teve experiências no Corpo de Bombeiros e no policiamento de área, onde fez os amigos que, muitas vezes, foram responsáveis por lhe manter de pé.

 
União é força

 
Era um dia como outro qualquer, apesar da chuva e da neblina. O cabo Ribeiro saiu para trabalhar como fazia diariamente. No trajeto de sempre, a visibilidade era baixa, ele tentou frear a moto, mas, não a tempo de evitar que batesse a cabeça na traseira do caminhão. Apagou ainda em cima da motocicleta.

 
Acordou 30 dias depois, no Centro de Referência do Hospital da Polícia Militar de São Paulo, sem reconhecer a esposa, os pais, as filhas e tão pouco os colegas de trabalho. Lembrava-se apenas da sua vocação e do desejo de viver para voltar às ruas.

 
O policial acidentado não desistiu e contou com a ajuda da equipe do hospital para se recuperar e com os amigos da corporação para não desistir. “Os fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, todos viram meu amor pela vida e não me deixaram esmorecer nas piores horas. Meus amigos dos bombeiros e oficiais da PM me ampararam e acolheram, auxiliando em tudo para que eu voltasse às atividades policiais. Devo a vida a todos eles”, ressaltou o PM.

 
Renascendo

 
Ribeiro sabia que os primeiros meses eram fundamentais para recuperação dos movimentos e colocou toda sua força no tratamento para evitar sequelas permanentes. Improvisou em casa ferramentas de fisioterapia para reforçar as sessões que fazia regularmente. “Quando eu voltava ao médico, minha performance estava sempre além do esperado”, conta.

 
Além das inúmeras sessões de exercícios específicos feitos no Centro de Recuperação do HPM, o policial também passou a se submeter ao tratamento usando cavalos, a equoterapia, na própria Polícia Militar. Um mundo diferente se abriu à sua frente. “Vi pessoas baleadas, crianças com diversos problemas neuromotores, gente pobre machucada, vi de tudo na equoterapia. Me enchi de coragem. Soube, ali, que tinha muita coisa para viver ainda”, conta.

 
Servir e ser servido

 
Na PM, Ribeiro participou de diversas operações – da busca por procurados ao salvamento de um idoso com parada cardíaca usando desfibrilador, dentro da viatura. O acidente não apagou a chama da vocação policial. Ribeiro se empenhou como nunca, passou por várias juntas médicas até que, em novembro de 2016, foi considerado apto a regressar à corporação, executando serviço apenas administrativo. O cabo passou a trabalhar à noite, no quartel e, em pouco tempo, voltou para as ruas. “É onde me sinto bem e realizado. Agora, vou viver e continuar progredindo. Meu próximo passo é prestar prova para promoção a sargento. Tenho muito a oferecer. Ainda posso ser parte do milagre na vida de alguém”.



Cabo Thiago Ribeiro do Rego
Na Marinha ou na Polícia Militar, no Haiti ou no Brasil, em campo ou no Centro de Recuperação da PM, Ribeiro lutou pela vida e venceu.



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