Força e Honra

Subtenente Glebson Ferreira de Lima

16/08/2017


Era véspera de feriado quando o subtenente Glebson Ferreira de Lima, do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro, o BOPE, foi chamado para atender uma ocorrência na Avenida Brasil. Um ônibus da linha 723 (Mariópolis-Cascadura) havia sido tomado e seus passageiros feitos reféns, parando a principal via expressa do Rio de Janeiro.

 
As habilidades do negociador foram necessárias para o sucesso da operação. Era preciso equilibrar as emoções e dividir a atenção entre o tomador e os reféns, para que nenhuma vida fosse perdida. “A minha função não é apenas preservar a vida do refém, mas salvar todas as vidas envolvidas na ocorrência, inclusive a do próprio tomador”, conta.

 
O homem, que quando criança não pensava em ser policial, superou todos os desafios que marcaram a sua história, e encontrou sua verdadeira vocação desempenhando um papel estratégico dentro da tropa de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

 
Vocação

 
O ditado popular “diga-me com quem andas e te direi quem és” faz jus à história de Glebson, que nunca cultivou o sonho de ser Policial Militar. “Isso nunca passou pela minha cabeça, mas todos os meus amigos mais próximos eram policiais”, lembra o subtenente.

 
Influenciado pelos amigos, ele ingressou na polícia em 1996 e percebeu que a carreira sempre foi a sua vocação. “Eu tinha um sentimento operacional muito forte dentro de mim. Estava certo que quando eu me formasse iria atuar na rua”, conta.

 
O dia a dia nas ruas pediu mais entrega, levando o policial ao Curso de Ações Táticas – uma das portas de entrada para o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) – focado em operações urbanas.

 
A unidade, referência para as forças policiais de todo o mundo, ganhou mais um homem que reúne as características primordiais para sua função: honestidade, disciplina, controle emocional, lealdade, espírito de equipe, perseverança e versatilidade.

 
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Força e Honra

 
No BOPE, Glebson acompanhou diversas operações emblemáticas – o sequestro do ônibus 174 e a retomada do Complexo do Alemão – mas, foi uma operação de rotina que marcou sua vida para sempre.

 
Era uma quarta-feira, dia de clássico – Flamengo e Vasco – e véspera de seu aniversário, quando a unidade foi convocada para uma missão no Pavão-Pavãozinho. Localizar os responsáveis pelo assalto e agressão a uma oficial do Hospital da Polícia Militar que residia na comunidade.

 
Durante a operação, o então cabo do BOPE foi atingido por uma granada. “Eu tive uma fratura exposta no braço direito e recebi estilhaços na perna, no pé e no olho. Só que a do olho, eu não senti. Eu só senti o braço doer muito”, conta o policial que só se deu conta da gravidade de seus ferimentos ao ver a cara de pavor dos seus companheiros, e ao ouvir o líder da operação informar ao comandante: “o cabo Glebson foi mortalmente ferido”.

 
O procedimento para o socorro foi rápido, assim como a decisão dos médicos em prepará-lo para receber uma prótese ocular. Entretanto, a recuperação física, assim como o resgate de sua autoestima, foi um processo longo, fazendo o subtenente acreditar – temporariamente – que a reforma era o melhor caminho.

 
“Foi apavorante na hora… Mas, o profissional do BOPE é preparado para nunca esmorecer. Então, depois de uns oito meses em casa, eu voltei a trabalhar no batalhão. Procurando o lugar que eu iria me adaptar melhor”, relembra.

 
Novos caminhos

 
Depois de muito buscar o seu novo lugar no BOPE, um amigo da corporação sugeriu que ele fizesse o curso de formação para Negociador, pois ele poderia aliar sua prática na rua às técnicas de negociação e ser um excelente profissional. Finalmente, ele havia encontrado seu novo lugar. “Fiz o curso no próprio Batalhão e, desde então, é a função que desempenho e que tem me trazido muita alegria”, orgulha-se.

 
Glebson, que teve papel estratégico fundamental na resolução bem-sucedida do sequestro do ônibus na Avenida Brasil, em 2014, não pensa em abandonar a corporação, mas descobriu também uma nova paixão: o Triathlon. O desafio agora é enfrentar as emoções de conduzir uma bicicleta competindo como triatleta.

 
E para quem pensa em ingressar na carreira policial, ele aconselha: “prepare-se muito. Não só fisicamente, mas mentalmente. Ser honesto e ter total controle das suas emoções são qualidades primordiais para uma pessoa entrar na PM e, especialmente, no BOPE”.



Subtenente Glebson Ferreira de Lima
Levando ao pé da letra o lema do BOPE – “Força e Honra” –, ele superou desafios que o levaram a reencontrar sua vocação



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