Ensinando pelo exemplo

Soldado José Carlos da Silva

07/04/2017


Quando o Soldado José Carlos da Silva decidiu compartilhar, nas horas de folga, seus conhecimentos como campeão, e faixa preta de jiu-jitsu, com jovens carentes não imaginou que transformaria a vida de famílias inteiras.

 

Certa vez um tio, desesperado com a exposição dos sobrinhos ao tráfico de drogas que dominava a comunidade que moravam, procurou José Carlos pedindo que ocupasse o tempo dos dois irmãos com alguma atividade, para que pudessem aprender sobre o que é certo e o que é errado. Ele não teve dúvidas, forneceu os quimonos e acolheu a dupla em sua academia. “São garotos esforçados. A menina pedala quilômetros na bicicleta, trazendo o irmão na garupa para treinar. A molecada sem condições financeiras treina de graça. Assim, sai da rua e se agarra em algo grandioso, algo que valha a pena lutar: a vida com princípios, respeito e alegria”, conta.

 

Tanta determinação, tem para ele um objetivo maior: a luta pela paz. E, por isso, José Carlos não quis guardar para si tudo que aprendeu com seus mestres. “As doutrinas militar e do esporte me completam. Corpo e mente em equilíbrio para cumprir as missões da vida”, afirma.

 

 

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Maturidade e segurança graças ao esporte

 

O esporte dominou a juventude do rapaz. Aos 15 anos, começou a fazer musculação inspirado por personagens de filmes, como Rocky Balboa. Quatro horas de treinos intensos diários, subindo e pulando cordas e levantando peso prepararam o corpo do jovem. Aos 19 ele entrou para o mundo das lutas. E só dez anos depois, por influência de amigos que trabalhavam em segurança privada, José Carlos resolveu prestar a prova para ingressar na Polícia Militar. Queria proteger pessoas.

 

Foram quatro anos de estágio na Força Tática, onde apurou a disciplina em exaustivos treinamentos para fixar a metodologia de trabalho. Era uma força especial, de confiança do comandante, designada para trabalhos mais graves e que exigia maior preparo físico e psicológico. “Acho que entrei tarde na PM. Poderia ter ingressado mais jovem. Mas, por outro lado, a maturidade me fez trilhar um caminho mais seguro, menos afobado. Me preparo com mais segurança e quase não tive lesões sérias na carreira, talvez, por conta dessa maturidade”, observa.

 

“Conhecimento bom é aquele adquirido e passado adiante”

 

Há quatro anos, o soldado resolveu que precisava colocar em prática o plano de ensinar tudo o que aprendeu nas lutas e na disciplina militar aos novos policiais. Passou a dar aulas de defesa pessoal na PM, com técnicas de imobilização e abordagem segura.

 

O policial lutador aprendeu que para ser respeitado e exigir disciplina dos alunos, tanto na PM, quanto na academia, é preciso ser exemplo. Para José Carlos, “respeito dado e adquirido é o que nos torna uma equipe forte. É o que também nos torna indivíduos autoconfiantes e dignos da confiança de um parceiro, ou de uma vítima, que depende da nossa ação. São nossos códigos de honra e gratidão que nos tornam mais fortes. Campeões do dia-a-dia”.

 

O soldado dos tatames quer continuar a multiplicar seus conhecimentos, ajudando novos policiais a se defenderem de suspeitos agressivos; ajudando garotos de rua a terem esperança de uma vida melhor; compartilhando técnica e conceitos de conduta para formar homens melhores.



Soldado José Carlos da Silva
Compartilha os ensinamentos do jiu-jitsu para novos policiais e jovens carentes ajudando a formar homens melhores



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