Confiança gera Confiança

Capitão Ricardo Nicotari

11/08/2016


Quando o capitão Ricardo Nicotari falou em implementar técnicas de policiamento comunitário em bairros da Zona Oeste de São Paulo, não recebeu apoio imediato. A experiência bem-sucedida que trouxe do interior paulista, aparentemente, não era o bastante para convencer os mais céticos. Bairros da maior cidade do país são muito diferentes de um município do interior, mais complexos e mais populosos. Mas o oficial conseguiu mostrar que promover a cidadania é o primeiro passo no processo de melhoria das comunidades. As equipes comandadas pelo capitão não receberam nenhum reforço, apenas mudaram a forma de agir e conseguiram modificar o dia-a-dia da área onde atuam, o que acabou rendendo à 2a Companhia do 4o Batalhão o principal prêmio de polícia cidadã oferecido pelo Instituto Sou da Paz.

 

Vizinhança multiplicadora

A Central de Ações de Prevenção de Delitos foi criada na companhia em 2014, e apostou na união de técnicas de policiamento em um sistema inteligente de segurança, visando a otimização dos recursos disponíveis para obter melhores resultados. Policiais passaram a visitar a comunidade para entender quais eram os anseios de cada morador e, com isso, incluí-los nesse novo projeto de segurança, coletando suas sugestões. “Com esse panorama, conseguimos traçar uma diretriz, distribuir melhor nossos homens e viaturas e conquistar a confiança da população, que já nos conhece pelo nome e assimilou a ideia de que a segurança também pode ser melhorada com a ajuda dos moradores e comerciantes do bairro. Eles podem multiplicar os olhos da polícia”, lembra Nicotari.

 

Às visitas comunitárias, o capitão uniu outras ferramentas. “Começamos a oferecer palestras, com dicas de segurança para comércio e condomínios e aproveitamos para inserir conceitos de ações da própria comunidade. Por exemplo, avisos para fixar na geladeira com os telefones dos vizinhos. Simples, mas eficiente. Se você vai se ausentar da residência por um tempo mais longo, é só avisar o morador próximo e este ficará de olho em sua casa. Um tomando conta do outro, com senso de comunidade”, conta o capitão.

 

O projeto também inclui iniciativas dentro da corporação, como por exemplo, o reconhecimento dos policiais que se destacaram no mês. Nicotari é o espelho das equipes. “Aqui nós temos o policial que sorri, aquele que é educado, outro que é mais atencioso e aquele que é o homem de ação. Mas, todos têm em mente que nossa missão é atender à sociedade, para que haja progresso na humanidade e melhoria na qualidade de vida. Se a polícia faz parte da comunidade onde trabalha, a harmonia reina e a chance do bem vencer é muito maior”, observa.

 

A vocação como profissão

Ricardo Nicotari trabalha há 21 anos na PM e tem certeza de que a escolha da profissão é totalmente por vocação. “Na PM, não lidamos com clientes. Lidamos com usuários do nosso serviço, que é promover o bem-estar desenvolvendo técnicas de uma boa gestão comunitária, de qualidade, com total proteção aos direitos humanos”, destaca. Ele acredita que “para trabalhar na polícia, tem que ter vocação, ou adquiri-la ao longo da carreira, com exemplos de bons policiais a serem seguidos. Se não tiver uma chama interna que indica necessidade de proteger o semelhante, talvez a polícia não seja a profissão a seguir”.



Capitão Ricardo Nicotari
Há 21 anos na PM, acredita que promover a cidadania é o primeiro passo no processo de melhoria das comunidades



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