Homem de fé

Soldado Luciano Pereira

24/03/2016


Parte do dia ele é policial, a outra parte é padre. Para muitos, seria impossível conciliar duas vidas tão distintas, mas Luciano, 39 anos, tem exatamente essa rotina. Ele acredita em uma forte conexão entre as duas atividades. Ambas têm a função de proteger pessoas.

A vocação religiosa despontou cedo. Aos 11 anos, ele foi coroinha. Depois de anos de estudo, foi ordenado sacerdote da Igreja Católica Apostólica Ecumênica, segmento religioso regido pelo cristianismo em que o padre não vive na Igreja e não faz voto de castidade. Por essa razão, Luciano também soma a função de pai de família. “Sou casado, tenho dois filhos e um terceiro está a caminho”, complementa.

Aos 18 anos, a ideia de entrar na PM surgiu. “A chance de estar perto de quem precisa de ajuda era imensa e meu coração me guiou para a polícia”, lembra Luciano.
Os primeiros 10 anos de trabalho foram fazendo rondas com viatura, para patrulhar as ruas da região.
Desde então, Luciano se reveza entre a batina e a farda, sempre mantendo sua fé como seu eixo condutor. Hoje, como padre, ajuda as comunidades da zona norte de São Paulo e na polícia ministra aulas de prevenção às drogas, fazendo palestras para jovens.

Rumo seguro

Foi nas ruas, atendendo a uma variedade de ocorrências, que Luciano entendeu a motivação central de todo chamado. “Briga entre vizinhos, furto de carros, ameaças, seja qual for a situação, as pessoas chamam a polícia porque precisam de um norte”, observa.

Ele vive isso constantemente, seja quando encontrou um veículo parado, em um lugar perigoso, com duas mulheres precisando de ajuda para trocar o pneu, ou quando se deparou com uma mãe angustiada pela realidade devastadora de conviver com um filho viciado em crack.
Independente da dificuldade e da resolução do caso, Luciano percebe que parte importante do papel da polícia já é exercida logo ao chegar nas ocorrências. “Muitas vezes as pessoas estão completamente angustiadas e acabam encontrando na polícia esse conforto e segurança de que tanto precisam”, reflete.

Fora da zona do conflito

Luciano diz que parte da sociedade acha que a Polícia existe apenas para reprimir. Ele acredita na prevenção.
O soldado dá aulas no Proerd (Programa de Resistência às Drogas e à Violência) em escolas públicas, além de iniciar um trabalho de palestras no programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC), da Polícia Militar. “Comecei a trabalhar valores de família. Eles são apenas jovens que precisam mudar o caminho”, comenta.
Pela corporação, chega a atender cerca de mil jovens por semana e, pela igreja, busca tratamento para quem enfrenta o vício da droga e alimento para quem precisa.

Podem parecer atividades muito diferentes, mas Luciano faz com que se complementem. No final, sua vida de padre, policial e pai de família se integra sob o mesmo propósito: proteger pessoas.



Soldado Luciano Pereira
Divide sua rotina entre a vida de padre e policial, sempre com o objetivo comum de proteger as pessoas



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