Além da farda

Cabo Luciana Maria de Freitas

17/12/2015


Nascida no interior de Minas Gerais nos anos 70, Luciana Maria de Freitas teve os privilégios de uma família com uma situação financeira confortável. Adolescente, decidiu que não se acomodaria e, ao chegar aos 21 anos, ingressou na Polícia Militar. Seu propósito? “A profissão de policial militar abriu as portas para que eu escolhesse de que maneira seria útil ao próximo”, conta. Hoje, aos 42 anos, a cabo foi indicada para o Prêmio Guardiã Metropolitana e se orgulha por ser reconhecida pela comunidade do município de Ibirité. “Acho que me especializei em levar esperança onde tem caos. Me sinto bem assim”, reflete ela.

Vocação

O trabalho da PM lhe trouxe uma visão sobre o valor da educação. “Combater o crime nas ruas é parte importante do trabalho. Mas, quando estamos nesse estágio, significa que estamos falhando como sociedade. Acredito que, se eu puder fazer com que uma criança me admire pelo que faço, em vez de admirar um traficante, minha colaboração é muito maior. Educar é ser espelho para o futuro é a solução. Tem que ter muito amor no peito e seguir em frente sem desistir”, completa.

Pós-expediente

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Em Outubro de 2015, Luciana recebeu uma chamada de um morador. Ele havia encontrado em frente de sua casa uma sacola preta e, dentro dela, algo se mexia. Era um bebê enrolado em uma toalha, ainda com o cordão umbilical. Luciana e seu colega de trabalho, o Soldado Goulart, levaram o menino imediatamente para o Hospital Municipal, onde a criança ganhou o nome de Moisés.

O trabalho se encerraria ali, mas Luciana, que é mãe de três filhos, foi além e iniciou uma campanha para angariar doações para o menino. Conseguiu fraldas, roupas, lençóis.

Em suas visitas quase diárias ao abrigo, distribui carinho não somente para Moisés, mas também para as outras 20 crianças dali, abandonadas ou vítimas de maus-tratos. É o caso de João, de 6 anos, que perdeu a mobilidade por conta de uma doença degenerativa chamada Síndrome de Duchenne. A cabo e a comunidade conseguiram arrecadar um valor importante que permitiu ao menino receber tratamento com a utilização de células-tronco, realizado na Tailândia.

Dá tempo

Além do abrigo que acolheu o menino Moisés, Luciana também se mobiliza para ajudar outros moradores do município. Ela chegou a ajudar 11 famílias simultaneamente, doando alimentos, roupas e o que mais fosse necessário.

Isso tudo já deixa sua rotina atribulada, mas ela encontra tempo para atender um chamado especial. Luciana abre mão de algumas horas de sono para estar presente na vida dos filhos, levando a caçula às reuniões com a comunidade, apoiando o mais velho em suas decisões sobre profissão e faculdade, ou ainda bater aquele papo de mãe com a adolescente em plena fase de descobertas.



Cabo Luciana Maria de Freitas
Há 21 anos na PM, mobilizar a população para ajudar pessoas carentes também faz parte de sua vocação



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