Ser quando crescer

Cabo Alexandre Franco de Paula

10/12/2015


Os olhos de Alexandre brilhavam ao ver seu pai, trajado com o uniforme da Aeronáutica, contando suas histórias. Essa admiração não deixava dúvidas, o menino seguiria os passos do pai. Em 1996, ingressou na Polícia Militar.
Hoje, aos 44 anos, Franco é cabo da Tropa de Choque em Belo Horizonte, Minas Gerais. Agora, ele é quem, devidamente uniformizado, conta histórias de vidas inspirando novas gerações.

Escolha: ser polícia

O que faz uma pessoa escolher uma profissão em que todos os dias você sai de casa sem saber se voltará vivo? Franco já pensou bastante a respeito, mas hoje responde prontamente: “A vontade de ajudar as pessoas é muito maior do que o medo de não voltar para casa. Confio no meu treinamento e confio em Deus”, arremata.
Essa confiança de Alexandre, nem sempre se irradiou para os mais novos. Seus filhos, por exemplo, temiam a rotina arriscada do pai. Para mostrar um outro lado, ele passou a levá-los para conhecerem o quartel. Lá, os meninos ouviam a história da PM e mudaram a percepção. “Os meninos já demonstram curiosidade e interesse. E o temor que tinham, já não existe mais, porque sabem da importância do trabalho do pai”, orgulha-se.

Alterar a rota

Transformar percepções equivocadas em possibilidades faz também parte da rotina policial. Alexandre percebeu que, algumas vezes, o medo de mudar e o desconhecimento das alternativas alimentam um comportamento nocivo.
Ele exemplifica com uma história. O policial vivenciou um episódio de ter prendido um jovem repetidas vezes por pequenos furtos. “Roubava para sustentar o vício. Toda vez que eu o abordava, sentia que ele queria mudar de vida e sair daquela encrenca”. Intrigado Alexandre perguntou ao jovem de maneira direta: “por que é que você não para com isso?’ e a resposta veio na forma de outra pergunta: você pode me ajudar?
Alexandre reconheceu na questão uma possibilidade.
“Depois do serviço, passava na rua dele. Conversávamos muito sobre coragem, determinação e maneiras de como ele poderia se recuperar. Falávamos de futuro. Hoje, esse moço arrumou emprego, casou-se e tem filho. E tenho parte nisso. Por dedicar mais do meu tempo a quem me pediu ajuda”.

Novo destino

No mês passado, durante um patrulhamento, um homem visivelmente desesperado chamou a atenção do cabo. Alexandre se aproximou para entender o que ele dizia: um menino, que estava com amigos jogando futebol na quadra de uma escola, tentara pular o muro e sofrera um acidente.
Alexandre foi ao local e cena era de impacto: um menino de 12 anos sobre o muro, com uma das pernas transfixada por um vergalhão. Um outro menino tentava apoiá-lo para que o ferimento não aumentasse, mas, não tinha forças. O cabo entrou embaixo do garoto e o sustentou nos ombros. Pediu que os bombeiros fossem acionados e suportou o peso do menino sem se mexer até que a equipe chegasse.
Apesar de ser uma ação delicada, com alto risco de morte, a operação teve sucesso. Dias depois do acidente, Franco foi à casa do garoto, para saber de sua recuperação. A recepção não poderia ter sido melhor.
Alexandre sentia a gratidão em cada gesto e palavra da família. Mas, o que emocionou o cabo foi o depoimento de um dos quatro irmãos do garoto. O caçula confessou: “Ele me disse que tinha certeza de que seria policial militar. Ele queria fazer o que eu faço. Isso não tem preço. Ser herói para os filhos é maravilhoso, mas, mais comum. Saber que sua atividade inspira crianças é impagável. E é isso que quero continuar a fazer. Inspirar gerações novas”.



Cabo Alexandre Franco de Paula
Percepção aguçada e flexibilidade para ajustar rotas há mais de 20 anos fazendo a diferença na Polícia Militar



Compartilhe essa história para condecorar esse

História de Fibra

Outras histórias de Heróis de Fibra